sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Levanta, sacode a poeira... Sou tricolor de coração.

"Bom professor não é aquele que dá um show toda a aula, mas aquele que nunca sai do arroz com feijão e mesmo assim consegue prender os alunos."

"Olé-olé, olé-olé-olé! Olé-olé, olé-olé-olé! Sou tricolor de coração, eu sou do time que é sempre campeão". Assim diz a velha canção entoada sempre pela torcida coral para animar os jogadores do Santa Cruz. Infelizmente esse grito, como chamamos as músicas de torcida genericamente, ficou velho. Ficou velho porque podemos ser tantas vezes campeões, mas no presente estamos longe de ser "sempre campeões". E quando eu falo isso me incluo, pois faço parte dessa imensa torcida contada aos milhões, sou um dos que amam o Santa Cruz Futebol Clube incondicionalmente. Mas mesmo o mais fanático torcedor sabe que o Santinha não vem dando alegrias, e já faz um bom tempo. Pelo contrário, o time que recentemente bateu o recorde de vitórias consecutivas em seus domínios - antes pertencente ao Internacional do Rio Grande do Sul tchê - precisamente em 2005, hoje amarga o seu terceiro rebaixamente seguido, feito inédito no futebol nacional, quiçá mundial. Pois é, fomos da série A em 2006 para a "B", em seguida para a "C" em 2007 e agora estamos na icognita da série "D". Vale lembrar que para disputar a recém criada série "D" o Santa Cruz terá que fazer um bom Campeonato Pernambucano para assim conquistar uma das vagas do Estado na competição. Que situação, hein?
Nós que somos torcedores nos vemos nessa situação graças aos esforços de dirigentes que só se preocupam com seus próprios bolsos, que não fizeram nada em benefício da instituição tricolor. Fomos enganados diversas vezes, tratados como gado, com falta de respeito não sei quantas vezes. Enquanto isso, o Arruda ia visualmente se deteriorando: anel superior interditado, luz e água cortadas, grama mal cuidada, e até mesmo a pintura do Mundão faltou. Uma mão de cal ao menos poderia ter sido dada, né? E as promessas não paravam, parecia mais político no horário político da televisão. Era "Arena Coral", ônibus, placar eletrônico, loja do Santa Cruz, classificação para a próxima fase, jogador messias, etc. Antes era preciso pôr os pés no chão... E sem pôr, fomos acreditando ou deixando nos enganar, afinal era tanta tristeza que não era possível que alguma coisa boa não viesse a acontecer. Aconteceu?
Minha professora de Lingüística uma vez me disse uma coisa que eu tomei como verdade, "bom professor não é aquele que dá um show toda a aula, mas aquele que nunca sai do arroz com feijão e mesmo assim consegue prender os alunos". Ou seja, não precisa inventar e querer fazer acontecer, se você consegue ser bom com o básico, você é vencedor do mesmo jeito. Ou ainda, bom é quem consegue alcançar os objetivos sem querer fazer nada de extraordinário.
Mas eu sou apenas um torcedor apaixonado, não quero nem tenho pretensões de denunciar os erros administrativos do clube ou apontar esse ou aquele culpado. Não, nem autoridade para isso eu teria, já que só acompanho o futebol do Santa Cruz e prefiro ficar de fora dessas brigas políticas de pessoas inescrupulosas que tomam conta do meu querido Santinha. Sou só um torcedor que está cansado mas não está nem um pouco disposto a abandonar o amor ao Mais Querido, herdado diretamente do meu avô Jarbas Rodrigues Mota, carrego os genes tricolores que serão passados para meus filhos e assim por diante. Estou desesperado porque nunca vi o meu time numa situação como essa, em meus poucos 22 anos. Mas por outro lado estou esperançoso, e acredito que finalmente um trabalho sério será feito. Algo que se encaixe na nova realidade Coral, para voltarmos a ser o que já fomos um dia, o Terror do Nordeste. E para que aquela antiga canção volte a fazer sentido, que sejamos sempre campeões.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Sport Campeão (mas eu continuo sendo Tricolor)

"Na verdade eu não estava nem um pouco preocupado com o resultado do jogo, afinal, em que mudaria a minha vida com a equipe do Sport campeã?"



Ontem Recife viveu um clima de Copa do Mundo, a torcida rubro-negra tomou a cidade e comemorou o seu primeiro título da Copa do Brasil e mais um título de campeão nacional, que não vinha desde 1987, sem falar do título nacional da 2ª divisão de 1990.
A cidade inteira viveu nesse clima de ansiedade antes do jogo começar, a torcida contava os dias para a partida final, acreditando que o Sport reverteria sim o placar e sairia de campo campeão. A equipe leonina precisava ganhar por 2 x 0, mas já tinha quem falasse que o placar passaria disso. Em resumo, o Sport fez o seu dever de casa, meteu dois gols na equipe do Corinthians e levantou o caneco.
Para muitos esse jogo representou muito mais do que uma simples partida de futebol. Essa partida tomou outro significado, principalmente depois dos incidentes no campo do Náutico - é impossível não falar e não lamentar o ocorrido - foi uma espécie de desabafo do povo pernambucano para todo o Brasil, mostrando a força que o pernambucano tem. O que se viu por aqui foram campanhas, principalmente nas comunidades do Orkut, de apoio ao time rubro-negro em favor de Pernambuco. Foi bonito ver que pessoas deixaram a rivalidade regional de lado e comemoraram por todo um Estado, que é visto como periferia do país.
Eu como torcedor convicto do Santa Cruz Futebol Clube, confesso que no primeiro jogo da final eu torci bastante para o Corinthians e fui feliz com o placar de 3 x 1 para o time paulista. Na verdade eu não estava nem um pouco preocupado com o resultado do jogo, afinal, em que mudaria a minha vida com a equipe do Sport campeã? Mas claro que eu não perdi a oportunidade de mexer com os meus amigos rubro-negros afinal eles nunca desperdiçariam essa chance, se fosse com o meu Tricolor. Mas no fundo eu queria que o Sport ganhasse e 'desse uma lição' na imprensa brasileira que queria ver o Corinthians campeão. São três coisas que eu não suporto: imprensa tendenciosa; torcida do Sport; e torcida do Corinthians. Então, ontem eu sairia 'feliz' de qualquer jeito.
Recife parou por 90 minutos, todas as atenções estavam voltadas para um único ponto, a Ilha do Retiro. A expectativa era ver um Sport matador, que exterminasse a equipe alvi-negra paulista logo de cara, mas não foi isso o que se viu. Até praticamente os 36 minutos, o que se viu foi um jogo truncado, cheio de faltas, onde as duas equipes estavam nitidamente com medo de levar o primeiro gol. A equipe leonina tocava bola, mantinha a posse - que chegou a ser de 71% - e ia tentando se aproximar da área corinthiana. Foi aí que brilhou a estrela de Carlinhos Bala, que apareceu na área para receber a enfiada de Luciano Henrique e mandar a bola para as redes do goleiro Felipe, principal ídolo do Corinthians. Depois desse primeiro gol o jogo mudou completamente de figura, as duas equipes finalmente saíram para o jogo, mas logo em seguida o Sport fez o que precisava e ampliou o placar numa bola batida de fora da área, num rebote de uma cobrança de escanteio, aproveitado pelo Luciano Henrique. Enílton ainda tentou cabecear, sem sucesso, mas isso foi determinante para enganar o arqueiro do Timão que aceitou a bola, entre as pernas. Ainda tentou tirá-la, mas já era tarde, a bola já havia passado da linha. Com isso a equipe do Sport foi para o segundo tempo com a taça de campeão nas mãos.
No segundo tempo o Corinthians foi com tudo para o ataque, querendo fazer pelo menos 1 gol, que daria o título a equipe alvi-negra. Mas nem o atacante Acosta conseguiu passar pelo goleiro Magrão, que crescia a cada lance. A equipe paulista ainda teve dois jogadores expulsos: o atacante Wellington Saci, que tinha acabado de entrar por agressão ao jogador Carlinhos Bala, e William no finalzinho do jogo, também por agressão ao jogador leonino. Houve ainda um penalti não marcado de Magrão sob Acosta em favor do Corinthians. O Sport administrou o placar, chegando a ter várias chances de ampliá-lo mas o jogo terminou com esse placar construído no primeiro tempo de 2 x 0 e o Sport Club do Recife se sagrou campeão da Copa do Brasil pela primeira vez, e sendo o primeiro clube brasileiro a assegurar uma vaga para a Taça Libertadores da América de 2009.
Parabéns ao Sport, ao Nelsinho que conseguiu montar um grupo lutador e vencedor apesar de todas as dificuldades, parabéns a torcida rubro-negra pela festa na Ilha do Retiro, parabéns a torcida pernambucana que mais uma vez deu show de beleza, educação e receptividade, além de mostrar que a união é chave de tudo.
Depois do jogo os torcedores não dormiram, a noite foi curta para comemorar esse título. E o que teve de rubro-negro ligando pra mim ontem... Pois é, eu mexi tanto com eles essa semana, claro que não iam ficar calados depois de tudo.
Só um recadinho para esses torcedores pernambucanos, eu quero ver é essa união toda para ajudar o Santinha a sair da incômoda Série "C", afinal a gente merece ter os três grandes clubes da capital na Série "A", fortalecendo ainda mais o futebol de Pernambuco. Rivalidades a parte, eu só espero que torçam por nós assim como se empenharam em torcer pelo Sport 'Clube Sem Nome' do Recife.